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O AMOR AOS SESSENTA
Isto que é o amor (como se o amor não fosse esperar o relâmpago clarear o degredo): ir-se por tempo abaixo como grama em colina, preso a cada torrão de minuto e desejo. Ser contigo, não sendo como as fases da lua, como os ciclos de chuva ou a alternância dos ventos, mas como numa rosa as pétalas fechadas, como os olhos e as pálpebras ou a sombra dos remos contra o casco do barco que se vai, sem avanço e sem pressa de ausência, entre o mito e o beijo. Ser assim quase eterno como o sonho e a roda que se fecha no espaço deste sol às estrelas
e amar-te, sabendo que a velhice descobre a mais bela beleza no teu rosto de jovem.
De "Poemas dos Sessenta Anos" - recolhido in poesia.net
____________________________ Enviado por Amélia Pais
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